quinta-feira, abril 06, 2017

Outras vítimas relatam assédio do 'tarado' da caminhonete em Umuarama

(Foto: O Bemdito) - Outras vítimas relatam assédio do 'tarado' da caminhonete em Umuarama
Um caso de assédio trouxe à tona uma série de comentários de outras mulheres que afirmam ter sido vítimas do mesmo homem. Seu modus operandi é sempre o mesmo: ele chega com sua caminhonete F250 preta, passa uma ‘cantada’ nas moças – geralmente jovens e bonitas – e se elas não correspondem, faz ameaças. O fato tomou maiores proporções na noite do último domingo (2) quando o ‘tarado’ agiu novamente. Ele assediou duas jovens que estavam em uma motocicleta Biz, na rua Domingos de Paula, na região da praça Anchieta. Como elas o ignoraram, ele jogou a caminhonete contra as moças, que caíram e sofreram ferimentos. De acordo com informações repassadas pela polícia militar, as vítimas relataram que o autor comete tal ato de forma recorrente e assedia com frequência garotas que residem naquela região. Inclusive elas já haviam sido assediadas em outras oportunidades. Ele foi preso logo em seguida, já na sua casa, e contou aos policiais que não jogou o veículo nas moças. “Não joguei a camionete pra cima de ninguém não, só deu uma reladinha”, disse. Outra vítima A reportagem de OBemdito manteve contato com outra vítima deste senhor, que aparenta ter cerca de 65 anos.
O nome dela será preservado para evitar intimidações. A jovem, de 25 anos, conta que no inverno de 2016 também foi assediada pelo mesmo homem. “Estava andando na rua, na avenida Arapongas, quando ele estacionou a caminhonete em frente a um açougue. Logo foi falando várias coisas, me cantando. Eu disse que ele precisava me respeitar e então ele me xingou de vagabunda e várias outras coisas horríveis, que não gosto nem de lembrar”, relata. Mas o pior momento ainda estava por vir. A vítima diz que o agressor avançou em sua direção, como se fosse bater nela, mas recuou e disse que iria pegar algo no veículo. “Ele ficou procurando algo embaixo do banco e fiquei com medo que fosse sacar uma arma”. A reação dela foi correr em direção à rua Sarandi em busca de ajuda. Já com o celular em mãos, ela ligou para a polícia – a jovem informou que a PM não compareceu. Este fato aconteceu por volta das 13h30, em uma via movimentada. A vítima conta que estava vestida com um sobretudo e bota. “Nem minha roupa chamava a atenção dele. Não que eu tenha preconceito contra isso, pois acredito que as pessoas devem usar a roupa que quiserem e ninguém tem o direito de mexer com elas por isso”, diz. O assédio foi assistido por várias pessoas. A vítima diz que uma das testemunhas ainda tentou ajudar, mas quando o homem voltou para o carro, esta pessoa também recuou com medo de ser alvo de disparos. “Humilhada, suja, sem voz. Foi assim que me senti após tudo o que aconteceu. Passei o dia atordoada e não consegui nem contar para o meu pai, pois ele conhece este homem e não sei do que seria capaz”, diz a jovem assediada. Na maioria dos casos a vítima se sente humilhada pela agressão que sofreu e acaba não denunciando o autor do assédio Ela conta que já havia sido vítima das ‘cantadas’ deste mesmo senhor quando mais jovem. “Quando eu tinha uns 12 anos minha mãe me levava para a escola. Éramos praticamente vizinhos e sempre que eu passava ele dizia para minha mãe: ‘que filha linda você tem’”. Sua providência após tudo o que passou foi fazer uma denúncia à polícia civil, primeiramente de forma anônima. Ela então foi orientada a comparecer à Delegacia da Mulher para representar contra o agressor. “Fui até lá para saber como seria. Na época a delegada me informou que em algum momento eu teria que ficar frente a frente com este homem e que provavelmente ele pagaria a pena com serviços comunitários. Fiquei com medo. Se quando eu pedi que me respeitasse, ele já me ameaçou, imagina se me encontrasse na justiça”, justifica. A jovem afirma que as leis precisam mudar. “Nestes casos, a sensação que temos é de que a lei protege mais o autor do assédio do que as vítimas”, finaliza. Abordagem Outra jovem e suas amigas também relataram a OBemdito terem sido assediadas pelo mesmo homem. Ela disse que o ‘tarado’ segue as meninas na rua, principalmente quando elas estão sozinhas. “Ele começa a andar devagar com a caminhonete, falando com a gente que está a pé na calçada. Fica seguindo, perguntando o nome, se quer carona, falando para entrar no carro”, relatou. Esta vítima, nem suas amigas, representaram contra o agressor. Investigação policial De acordo com o delegado Fernando Ernandes Martins, foi instaurado procedimento para averiguar o caso tendo em vista que as vítimas de domingo representaram contra o autor (que não teve seu nome divulgado). A investigação será encaminhada nos próximos dias para o juiz – são aguardados os laudos de lesões das moças para anexar ao documento. O homem será acusado de lesão corporal dolosa, por ter machucado as jovens. O caso é doloso, segundo o delegado, porque o suspeito utilizou o veículo como uma arma, mas não tinha a intenção de praticar um homicídio, apenas machucar e intimidar as vítimas. Ele já está em liberdade. Após audiência, o juiz definirá a pena a ser cumprida. O delegado explica que nestes casos o acusado geralmente recebe pena restritiva de direitos, que pode englobar prestação pecuniária ou de serviço à comunidade, a perda de bens e valores, a interdição temporária de direitos e a limitação de fim de semana, conforme preceitua o artigo 43 do Código Penal. Além disso, o delegado explica que ele deve ser enquadrado nos procedimentos de trânsito pertinentes – elaborados pela Polícia Militar – os quais podem incidir em multa e provavelmente a perda da carteira de habilitação. Martins informa que não há outras representações feitas contra este agressor. Outras pessoas que foram vítimas (nos últimos seis meses) podem comparecer na Delegacia para repassar as informações. Se outros casos forem registrados e investigados, as penas aplicadas ao homem poderão ser ampliadas. Colaboração O Bemdito

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