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terça-feira, outubro 10, 2017

Justiça liberta soldado acusado de executar adolescente em Sarandi

Por determinação do Tribunal de Justiça de Curitiba, o policial militar indiciado pela execução de um adolescente em Sarandi no ano passado foi libertado. O soldado Marco Aurélio Onishi, 38, que desde a época da morte de Jadson José de Oliveira, 17, estava recolhido no 4° Batalhão de Polícia Militar (BPM) foi solto na sexta-feira (6). O recurso impetrado pelo advogado criminalista Israel Batista de Moura, pedindo a soltura de Onishi e a desqualificação do crime, foi votado na quinta-feira (5) e os desembargadores acataram, por unanimidade, o pedido para descartar a denúncia de homicídio qualificado por motivo torpe e por impossibilitar defesa à vítima. Com a derrubada das duas qualificadoras, Onishi responderá por homicídio simples. O advogado dele, no entanto, já informou que ingressará com recurso para derrubar a acusação. Segundo Moura, são frágeis as delações feitas pelo soldado Jonatan Vinícius Goulart, 32, que acompanhava o cliente dele no dia do crime. Para o advogado, Goulart teria tentado jogar toda a carga pela morte de Jadson para Onishi, respondendo pelo crime de ocultação de cadáver, apenas. Segundo a decisão da Justiça, Onishi pode voltar a trabalhar como policial militar. Contra ele ainda há uma medida cautelar, para que fique em casa aos finais de semana, se não estiver trabalhando. Durante o julgamento do recurso, que desclassificou o crime e resultou na soltura do policial, um dos desembargadores ressaltou que Onishi já integrou os mais importantes grupos de elite da Polícia Militar, recebeu várias condecorações públicas por serviços prestados e tem a seu favor o trabalho realizado no Canil do 4° BPM. Segundo o desembargador, se não fosse um bom homem, Onishi não teria tido uma boa relação com os animais e teria sido recusado pelos cães. O crime No dia 10 de agosto de 2016, Jadson estava com alguns amigos na Rua Machado de Assis, em Sarandi, quando foi abordado por policiais militares. Os colegas dele foram liberados, mas o adolescente foi levado na viatura e desapareceu. O corpo dele foi encontrado cerca de uma semana depois, com marcas de tiro na cabeça. Goulart, um dos policiais da viatura, procurou a polícia dias depois para denunciar Onishi pela execução. Preso, Onishi acusou Goulart de ter praticado o crime. Provas O delegado de Polícia Civil de Sarandi, Reginaldo Caetano, que coordenou a investigação na época, explicou que o estojo e o projétil foram encontrados no ponto indicado pelo soldado Goulart, o primeiro a denunciar o crime à Polícia Civil e apontar Onishi como autor do crime. No dia da reconstituição da morte do garoto, Onishi indicou o local errado onde o adolescente teria sido morto. Ainda durante as investigações, a PC encontrou respingos de sangue no local onde o adolescente foi morto. Esse detalhe contesta a versão de Onishi, de que Goulart seria o executor e teria arrastado o corpo até o ponto onde foi desovado. Os respingos na terra indicam que a vítima foi carregada e não arrastada. Nas roupas e tênis do garoto também não havia sinais de arrasto por terra, o que reforça o indício de que Jadson foi carregado até onde foi desovado. O delegado ressalta que, além de manchas de sangue na calça de Goulart, foi detectado sangue no coturno de Onishi que, mantinha a versão de que ficou o tempo todo dentro da viatura. O delegado explicou, ainda, que a qualificadora por motivo torpe foi estabelecida, porque Onishi, após raptar o garoto, confidenciou ao colega de viatura que Jadson seria "tranqueira" e "dava muito trabalho", configurando-o como "justiceiro". Já o indiciamento de Goulart, por abuso de autoridade, caracteriza-se pelo fato de ele ter colaborado na captura do adolescente e ajudado a levá-lo para um local isolado. No inquérito, que conta com dois volumes e 438 páginas, a motivação não foi estabelecida, porque Onishi ainda insiste em negar a autoria da execução. O Diário

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