sexta-feira, abril 13, 2018

Polícia trabalha para provar que Valdir e Bruna foram executados pelo tráfico; miss não tinha nada a ver com a situação

A morte da miss Bruna Zucco e do empresário Valdir Feitosa, em Altônia, chamou a atenção e chocou as pessoas pela forma cruel com que foi executada. Os corpos foram encontrados carbonizados na caçamba do veículo que pertencia a Valdir. Agora, comprovado por exames de DNA que os corpos realmente eram deles e passado o sepultamento, familiares e amigos buscam respostas sobre a barbárie. De acordo com o delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Osnildo Carneiro Lemes, a qual a Delegacia de Altônia está subordinada, as investigações do crime correm sob a coordenação do delegado Isaias Cordeiro de Lima. No entanto, contam com o apoio de uma força-tarefa. Lemes conversou por telefone com a reportagem do Massa News e destacou que as investigações da polícia revelaram vários aspectos da situação, mas que alguns fatores não puderam ser efetivamente comprovados até o momento. “A convicção do delegado não serve de comprovação do crime para a Justiça. É preciso comprovar que o que o delegado acredita condiz com as provas técnicas e testemunhais”, diz. “E, neste caso, nós recebemos muitas informações, denúncias anônimas, e fomos costurando a investigação que aponta para um crime de vingança contra Valdir e para uma fatalidade em relação a Bruna. Mas, ainda temos que provar o que sabemos”, acrescenta. O delegado explicou que a cidade de Altônia está inserida em um contexto de disputa de território entre criminosos, basicamente traficantes de drogas e armas disputam o mando de terreno com contrabandistas de cigarros. O município está em área extensa de fronteira e está a uma travessia de rio do Paraguai, no caso, o Rio Paraná. “Os contrabandistas não querem a presença dos traficantes pelo motivo óbvio de que a presença deles chama mais a atenção das forças policiais”, comenta. Essa disputa territorial é o pano de fundo, conforme o delegado, para o duplo assassinato que vitimou Bruna e Valdir. “O Valdir era conhecido como empresário na cidade, mas ele exercia a função de contrabandista também, ele tinha envolvimento com esse tipo de crime”, revela. “Logo, ele tinha desavenças com o pessoal do tráfico”, completa. Na mesma noite em que o casal foi executado, horas antes, um rapaz identificado como Tiago Petinati foi assassinado a tiros na cidade. A vítima, segundo Osnildo, tinha envolvimento com o tráfico de drogas.
“Ele era traficante, não era o chefe do tráfico, mas ele era traficante. Ele foi executado e a dedução dos patrões dele foi de que quem cometeu o crime foi o Valdir, que era contrabandista”, explica. “Mas as investigações apontaram que não foi o Valdir quem matou ou mandou matar o Tiago, ele não teve nada a ver com a morte do Tiago”. Conforme o delegado, dias antes, um contrabandista ligado a Valdir teria se desentendido com um traficante ligado a Tiago, e quando este foi executado, seus ‘amigos’ deduziram que o culpado seria Valdir, e então o executaram para vingar a morte de Tiago. Bruna Diante disso tudo, onde entra a Bruna nesta história? O delegado responde que a jovem “estava no lugar errado, na hora errada e com o homem errado”. “Ela foi verdadeiramente vítima dessa situação toda. Tudo indica que ela pegou uma carona com o Valdir e acabou executada pelo simples fato de estar junto com ele”. Osnildo reforçou que a miss estudava em Umuarama e chegou a Altônia por volta de 23h30. Imagens de câmeras de segurança mostram a moça descendo do ônibus de estudantes, seguindo pela rua e o carro de Valdir passando em seguida. “Não temos as imagens dela entrando no carro, mas o que se desenhou na sequência foi que ela pegou carona com ele. O namorado dela não poderia buscá-la naquela noite, como sempre fazia, e ela era conhecida do Valdir, inclusive eles teriam namorado no passado”, revela. Depois disso os corpos foram encontrados no dia seguinte, carbonizados, em uma estrada rural de Altônia. “Era o carro dele, tinha indícios da presença de cosias dela no local, os dois desapareceram e a última imagem era o carro dele passando logo que ela desce do ônibus”, comenta. “Com isso, somado as demais investigações, chegamos ao fato de que o alvo da execução sem dúvida era o Valdir, e a Bruna foi assassinada porque estava no lugar errado, na hora errada e com o homem errado, ela não tinha nada a ver com a história toda”. Conclusão Diante dos fatos todos, o delegado destacou que as investigações correm no sentido de que Valdir era o alvo e foi executado em uma vingança pela morte de Tiago, na qual os traficantes apenas deduziram que Valdir era o mandante. “As investigações levam a isso, mas como destaquei, a polícia agora trabalha no sentido de comprovar material e testemunhalmente toda essa situação”. Polêmica do silicone Muito se falou desde o recolhimento dos corpos de Bruna e Valdir sobre a divulgação de que no corpo feminino tinha prótese de silicone. A família de Bruna chegou a sentir ‘alívio’, pois afirmava que “a jovem nunca havia se submetido a implantes de silicone”. A família continua afirmando essa versão, mesmo depois de os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba comprovaram por DNA que o corpo era realmente da moça. A família tinha tanta convicção que não era Bruna diante do silicone, que, no primeiro momento, se negou a retirar o corpo do IML para sepultamento. “Eu conversei com a mãe e o pai da Bruna, eles realmente afirmam que ela não usava próteses, mas o exame de DNA é conclusivo, não tem como contestar o resultado”, diz o delegado. Ele destacou que para resguardar a família determinou que o IML de Umuarama recolhesse amostras das próteses para que a família, se desejar, possa mandar analisar. “Eles foram informados que as amostras foram recolhidas e estão à disposição caso eles queiram contratar um perito particular”, afirma. “Agora, para a polícia, esse fato não tem relevância. O que tem importância para nós é que o DNA comprovou que o corpo era dela. Agora, ter ou não silicone, realmente é uma questão lá da família”.

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